
Central do Timão
·4 April 2025
Ex-presidente do Corinthians é empossado conselheiro vitalício; confira motivos para nomeação

In partnership with
Yahoo sportsCentral do Timão
·4 April 2025
O Conselho Deliberativo (CD) do Corinthians passou a contar com um novo nome entre os seus membros vitalícios: Duilio Monteiro Alves, que presidiu o clube entre 2020 e 2023. Sua inclusão nos quadros do CD foi oficializada logo após o falecimento de Wilson Bento, no último dia 29. Mas por que Duilio? E como funciona a nomeação de conselheiros vitalícios no Parque São Jorge?
A Central do Timão recorreu ao estatuto do Corinthians para entender a inclusão do ex-mandatário alvinegro como conselheiro vitalício e encontrou a resposta no Capítulo V do documento, que trata do Conselho Deliberativo. Os artigos 76 e 77 abordam o tema, estabelecendo que o órgão deve ser composto por 300 conselheiros, sendo 200 trienais — eleitos pelo voto dos associados, e 100 vitalícios.
Foto: Rodrigo Coca/Ag. Corinthians
Essa configuração do Conselho Deliberativo existe desde 2008, quando o Corinthians aprovou um novo estatuto com diversas mudanças, incluindo a eleição direta para presidente e a redução no número de conselheiros, que até então eram 400, divididos entre 100 eleitos, 100 indicados e 200 vitalícios. Ficou decidido que nenhum dos conselheiros vitalícios já empossados perderia o cargo, e que o número seria gradualmente reduzido até o limite de 100, à medida que ocorressem mortes, renúncias ou exclusões.
Com o tempo, essa redução no número de conselheiros vitalícios foi, de fato, acontecendo. Em 2020, por exemplo, eram 121 os conselheiros vitalícios do Corinthians. Já em 2022, passaram a 116, e em 2024, eram 101. Após a morte de Wilson Bento, o grupo passou a ter 99 membros, e Duilio foi imediatamente empossado para ocupar a vaga, tornando-se o 100º conselheiro vitalício.
Seu nome, inclusive, constará na próxima atualização da lista de conselheiros vitalícios do CD alvinegro, que é mantida disponível à torcida no site oficial do clube. Atualmente, essa lista está desatualizada, com 104 nomes, porém a Central do Timão apurou que já foi solicitada a troca pela listagem correta.
A escolha por Duilio para preencher essa vacância não se trata de uma decisão arbitrária, e sim de uma prerrogativa prevista no estatuto do clube. A reposição de vagas vitalícias no Conselho Deliberativo prioriza ex-presidentes da diretoria e do próprio Conselho, desde que tenham cumprido ao menos dois terços de seus mandatos. Caso não sofra impeachment, Augusto Melo também receberá o mesmo benefício no futuro, após cumprir seu mandato.
Dos ex-presidentes alvinegros, Roberto de Andrade, Mário Gobbi e Andrés Sanchez já haviam sido empossados anteriormente, assumindo vagas abertas com a perda de conselheiros vitalícios. Com a recente posse de Duilio Monteiro Alves, não resta mais nenhum ex-presidente “aguardando vaga”.
E como fica a substituição de vitalícios neste caso? O estatuto corinthiano também prevê essa situação: quando o número de vitalícios for inferior a 100 e nenhum ex-presidente estiver “esperando” para ser empossado automaticamente, a vaga é preenchida por meio de uma eleição interna. Esse processo é anunciado em dezembro, quando se declara o número de vagas disponíveis, e a eleição ocorre em janeiro, no Conselho Deliberativo. Podem se candidatar os conselheiros trienais que manifestarem interesse, desde que tenham concluído pelo menos dois mandatos anteriores.
O tema gera discussões entre torcedores, que questionam a existência de conselheiros vitalícios no Corinthians. No entanto, internamente, não há debates sobre uma possível extinção do grupo, conforme explicou Romeu Tuma Júnior, presidente do Conselho Deliberativo, consultado pela Central do Timão sobre a atual comissão de reforma estatutária, que vem trabalhando desde o ano passado no Parque São Jorge.
Segundo ele, as propostas em discussão na comissão – que já realizou audiências públicas com torcedores organizados e associados para ouvir sugestões – seguem na direção oposta à extinção dos vitalícios. Entre as ideias, estão o aumento do número de conselheiros vitalícios de 100 para 150 e a ampliação dos mandatos do presidente e dos conselheiros de três para quatro anos.
De acordo com Tuma, alguns conselheiros avaliam que o mandato de três anos é curto, já que o primeiro ano costuma ser de adaptação e o terceiro é fortemente impactado pelo período eleitoral, que ocorre no fim do ano. No entanto, esses debates ainda estão em andamento dentro do clube. A proposta de reforma estatutária, para entrar em vigor, precisará ser votada e aprovada tanto pelo Conselho Deliberativo quanto pela Assembleia Geral.
Veja mais: