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Jogada10

·28 mars 2025

Ao Jogada10, técnico que revelou Neymar e Coutinho na Seleção relembra resenhas históricas

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Chegou o momento, torcedor! O Brasileirão começa neste sábado (29), e um dos principais jogos ocorre no domingo (30), na Colina Histórica de São Januário. Será quando Vasco e Santos medirão forças pela rodada inaugural. Havia a enorme expectativa para o primeiro confronto em solo nacional entre Coutinho e Neymar, que estão de volta ao seus clubes formadores. O craque santista, porém, lesionado, não vai a campo.

E, pensando nisso, o Jogada10 cavucou a história e encontrou o técnico responsável por fazer a primeira convocação de Philippe Coutinho e Neymar para as Seleções de base do Brasil. Lucho Nizzo, hoje aos 62 anos, relembrou histórias de quando convivia não só com esses craques, mas como outros também lapidados por ele, a exemplo de Alisson (Liverpool), Casemiro (Manchester United) e Marcelo (ex-Real Madrid), falando muito sobre o processo do trabalho formativo.


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“O trabalho de um treinador de formação é projetar o que você pega, naquele momento com 15 anos, faz uma variação jogando para cima cinco anos e a evolução deles se tratando de clubes grandes. Obviamente esses caras vão chegar. Então modéstia à parte eu acertei mais do que errei”, inicia o comandante.

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Lucho Nizzo (acima) junto com Guilherme (esq.), Neymar (centro) e Coutinho – Foto: Arquivo Pessoal

Coutinho chega primeiro à Seleção

Nizzo relembra a cronologia de quando conheceu a dupla. Ele foi treinador do sub-15, sub-16 e sub-17 da Seleção entre 2007 e 2009, revelando que Neymar chegou depois de Coutinho.

“A sub-15 foi formada. Na época, os dois jogadores de mais destaque se chamavam Philippe Coutinho e Wellington Nem. Na verdade, o Neymar chega bem no finalzinho, a equipe já estava pronta. O processo formativo já vinha de sub-15. E eu rodava o Brasil todo! Outra coisa que ninguém sabe: as pessoas acham a gente convoca porque o empresário manda. Pelo menos no meu trabalho, graças a Deus, sempre foi de forma diferente. A gente tinha liberdade pela CBF para rodar o Brasil, a gente buscava acompanhar as competições de calendário. Copa Nike, Copa Tupi, Copa Londrina, Copa Saudades. São várias Copas. A gente pede ao setor de seleções, eles fazem um mapinha para a gente, emitia passagem e a gente ia embora”, recorda.

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Primeiro Granja, depois viagem

Nizzo, aliás, relembra que não convocou inicialmente o garoto do Santos para competições fora por preferir primeiramente ambientar os jovens em treinos na Granja Comary, onde as Seleções treinam.

“E lá, a gente é recebido pelos supervisores dos clubes, que criam atmosfera para a gente observar os treinamentos. Então, por exemplo, eu ficava uma semana no Santos, uma semana no São Paulo para conhecer os meninos. E na Copa Tupi, eu tive a felicidade de encontrar o Neymar. A equipe já estava formada, praticamente definida. Aí quando eu vim, tínhamos uma competição fora e eu tinha como praxe não convocar os jogadores para viagem fora. Gostava de convocar o cara para uma semana na Granja (Comary) para se familiarizar ao grupo e depois, sim, levar ele para fora. Assim, não o convoquei”, revelou.

Veja o vídeo abaixo (Canal do Professor e Treinador Lucho Nizzo)

Sorte com Neymar

Ele acredita que deu “sorte” ao não convocá-lo, pois, no dia seguinte à convocação, saiu a notícia da renovação milionária do garoto com o Peixe.

“Aí tive a maior sorte da minha vida: na véspera da convocação, eu ainda cometei com meu assistente, vamos deixar para outra convocação. No dia seguinte sai a manchete no jornal que o Neymar tinha feito uma multa rescisória não sei quantos milhões de dólares. Aí eu penso: “se eu convoco, iam dizer que eu tinha esquema pra convocar para poder valorizar o garoto”. Então dei maior sorte porque eu não convoquei”, explica.

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Lucho Nizzo com Neymar e o troféu do MIC de 2008 – Foto: Arquivo pessoal

Coutinho e Neymar, enfim, juntos

Nizzo conta sobre a disputa do MICFootball, um torneio internacional com o objetivo de reunir jovens jogadores. Ele ocorre na Espanha, local que Coutinho já conhecia bem.

“Depois que ele chega, ele assumiu o protagonismo, que passou a ser Coutinho e Neymar. Mas o Coutinho já era muito conhecido. Quando a gente chega em Barcelona para o MIC, que todo ano se faz, o Coutinho lá já era uma figura extraordinária e todo mundo conhecia. Coutinho, Coutinho, Coutinho! Porque nós fomos como sub-15, como sub-16 e como sub-17, então ele já ficou conhecido. Essas competições, os europeus criam para começar já a vincular quais são os futuros jogadores que eles vão contratar”, recorda.

Segundo Lucho, vários jogadores já são cooptados pelos gigantes europeus neste torneio.

“Barcelona, Real Madrid…No meu grupo de 88, Marcelo lateral-esquerdo foi para o Real Madrid através dessa competição. Denilson, do São Paulo, foi embora para o Arsenal. Todos esses meninos, o Willian, do Chelsea, também foi visto lá. Então é uma competição que eles mandam os scouts de toda a Europa para observar. Só os clubes tops. Eles já começam ali a detectar e acompanhar os meninos”, disse.

Início de longa amizade entre os craques

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Equipe sub-17 da Seleção Brasileira – Foto: Arquivo pessoal

Segundo Nizzo, por já ter participado de outras edições, Coutinho chegou ao MIC com mais pompa. No entanto, foi ali que a dupla com Neymar se iniciou, com os jogadores ficando inseparáveis.

“E o Coutinho era o grande nome. Muito mais conhecido que o Neymar. Neymar não tinha esse alcance porque ele não saía do Brasil. Mas o Coutinho já estava desde o sub-15. Nos Estados Unidos, Copa Nike, o moleque realmente era diferenciado. E as competições eram muito: “quem joga mais?” Aí a gente precisa explicar porque as pessoas começam com essa coisa “quem é melhor?”. Coutinho é mais cerebral, que cadencia as jogadas. O Neymar já é um finalizador. Um completa o outro. E, assim, conseguimos que eles jogassem juntos, a equipe começou a subir de produção. E eles ficaram parceiros, sempre viajavam ao lado um do outro nos ônibus, ficavam no mesmo quarto”, relembrou.

Timidez de Coutinho

A timidez de Coutinho não é de agora! Lucho Nizzo recorda que tal característica já existia no craque do Vasco. Ele, porém, exalta a qualidade do, à época, menino.

“A gente brincava, sempre fui de brincar com eles. Sempre pensei que tinha que descer da minha idade para entendê-los. Eu me sentia um jovem para poder lidar com eles. Sempre foi muito na dele, tímido, não é muito de falar. Mas pô, joga para caralh*. É um negócio sem explicação. Desde os 15 anos ele já tinha essa bagagem e essa experiência toda. É espírito de adulto num corpo de um menino de 15 anos, tamanha a facilidade em lidar com a bola. Foi ali que se conheceram! Na época, eles eram muito colados, muito parceiros, sempre juntos”, afirmou.

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Coutinho (esq.) e Neymar na concentração no Japão para a Copa Toyota 2008 – Foto: Reprodução / Youtube

Resenha incrível com Eto’o

O trabalho de um técnico de base não envolve apenas campo e bola. Afinal, os jogadores chegam muito jovens e inexperientes, além de pouco conhecidos. Lucho, então, relembra uma passagem envolvendo a lenda Samuel Eto’o, em que pode dar uma bela lição aos craques.

“Me recordo numa ocasião que a gente estava voltando de Madrid, do MIC, esperando o voo. E aí aconteceu uma aglomeração no aeroporto e fomos. Era o Eto’o de terno embarcando. A multidão toda em cima dele pedindo autógrafo. Eto’o pacientemente atendendo todo mundo, uma educação, uma simplicidade. E eles (Coutinho e Neymar) estavam com vergonha. Aí eles falaram: “E aí, professor?” E eu falei: “Ué, vocês querem um autógrafo? Você vai lá e entra na fila, é normal”. E eles foram. Quando eles voltaram, eu falei: “Vocês só não podem esquecer disso aí, estão vendo? Ele teve “mó” paciência, atendeu a todos. Vocês, um dia, se chegarem ao topo que o Eto’o chegou, não esqueçam que vocês devem respeito e devem atenção a todos os torcedores. Porque vocês brigam para chegar nesse ponto””, recordou.

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Lucho Nizzo dá instruções a Neymar durante jogo da Seleção – Foto: Arquivo pessoal

‘Formar o homem’, diz treinador

Ele seguiu, dando novos exemplos efetivos de como funciona o trabalho formativo de um treinador.

“”Quando chega nesse ponto, vocês começam a não querer atender, a não querer tirar foto ou dar autógrafo, então, irmão. Estão vendo aí o Eto’o? Put* jogador, é um cara que é consagrado, mas está aí humildemente atendendo a todo mundo. Inclusive a vocês dois! Então que vocês não esqueçam desse momento.” Esse é o trabalho formativo. Não é só o futebol. É formar o homem, o cidadão, profissional que vai entender o futebol como uma ferramenta de transformação social. Não só dele, mas daqueles com que ele terás (contato)”, afirmou.

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Lucho e Neymar, à época com a camisa 7 da Seleção – Foto: Arquivo pessoal

Derrota faz parte do processo

Nizzo encerra falando sobre a importância da derrota no processo de formação. A fortíssima equipe com Neymar, Coutinho e cia ficou pelo caminho no Mundial sub-17 de 2009, na Nigéria, mas isso não impediu de grandes jogadores surgirem.

“O brasileiro precisa entender o processo do trabalho formativo. Ele tem como objetivo levar o jogador à equipe profissional. Lógico que se você conseguir realizar um grande trabalho e concomitantemente conseguir ser campeão, show de bola. Mas o importante é você ter na Seleção principal jogadores que são oriundos da base. Essa equipe que não conseguiu o êxito no Mundial, mas logo em seguida você vê o Alisson, Neymar, Coutinho, e Casemiro na Seleção. Então, pergunto a você: “o trabalho não foi bem feito?” Você poderia ter ganho o Mundial, e não ter revelado ninguém. Então no Brasil a gente tem uma mentalidade um tanto quanto distorcida quanto ao trabalho de formação. A derrota é importante no trabalho formativo a nível de componentes mentais. Não tem como formar só ganhando”, finalizou.

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